quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Francisco, mas pode me chamar de Juan Antonio

Venero cinema, adoro entrar em uma sala escura onde tudo pode acontecer e, em duas horas, sentir minha vida mudar. Na tela da minha sala, pequena, mas sobretudo isenta da sensação permanente da dúvida, não sinto o filme como um personagem. Assim, fui ver, a uma hora atrás, Vicky Cristina Barcelona com expectativa de surpreender-me com Woody Allen, o que não acontecia desde o sombrio e brilhante Match Point – com suas referências prenunciando a desgraça, sem, no entanto, tirar o mistério. E o expectador, tal qual o leitor de Lolita não sabe bem para quem torcer, apesar do “cara mau” estar evidente.

Vicky Cristina Barcelona tudo foi diferente. Eu esperava uma comédia – assim vem dito nas reportagens – mas não vi uma comédia. Sim, os diálogos que vão do espanhol (por vezes nem traduzidos em legenda) para o inglês, voltam para o espanhol, novamente o inglês podem ter lá sua graça. Mas isso nem de longe é o principal. Há humor, não comedia. Há sorrisos, não gargalhadas. Não há, também, surpresa ou pelo menos uma grande surpresa, mas há o contraponto com a sombra. A Londres sombria dá lugar a cor, muita cor, luz. Luz nas telas, nas fotos, na sensualidade das três mulheres. Mesmo nas pequenas tragédias há sol e cores.

Afinal, é verão em Barcelona. Não há desgraça que vença o verão em Barcelona. Seja para quem nunca “se encontra” (Cristina), seja para quem “se encontra” na marra (Vicky). Ah, Barcelona. As cores de Barcelona. Por certo, eu ainda não sei dizer se o filme realmente mudará minha vida. Mas tenho a dizer que me tornaria alegremente Juan Antonio (Javier Bardem). Ao menos por alguns dias. E você, consegue se ver na pele de algum personagem de cinema?

3 comentários:

Renata disse...

Ah, Lu, tantas vezes brinquei de Mia Farrow em A Rosa Púrpura... A sala escura é o lugar dos sonhos, das identificações, projeções, desopilações... Nos dias em que estou bem cansada, principalmente dessa cidade maluca e da rotina, me imagino como a personagem da Diane Lane vivendo sob o sol da Toscana. Melhoro na hora! Beijo. Rê.

FABIANA BORGIA disse...

Eu adorei o filme. Assisti ontem. E também acabei escrevendo sobre ele no meu blog. Woody Allen sempre surpreende de maneira original, misturando os ingredientes de sempre: os conflitos humanos. E consegue transformá-los em comédia. Ele consegue fazer do velho o novo. Formidável! Se tiver curiosidade, dá uma passada no meu. Também fiz minha crítica (positiva) ao filme.

Valéria Martins disse...

Oi, Luciana! Eu adorei o filme, escrevi sobre ele no blog. E ainda vem o Peter Greenway dizer que o cinema morreu. Eu, hein! Como disse um amigo meu, ele diz isso porque seus filmes não fazem sucesso. Se fosse um cineasta como Scorcese - que acusou de chato!? - não diria isso. Bjs